Vitamina B12

Queridos,


Devido a grande polêmica que minha última postagem gerou, decidi fazer uma nova postagem.

Antes de tudo gostaria de deixar claro aqui que a postagem que fiz sobre a b12 não é de minha autoria. Eu traduzi de um site : http://frugivorelifestyle.com/B-12.html , só que acabei esquecendo de colocar a fonte de onde tinha ido buscar essa informação.

Então, com todos os comentários que recebi, resolvi reler a postagem, e fazer uma nova. Não que eu não acredite no que eu coloquei, porém, como não é minha especialidade as “bases científicas” pois eu não sou nenhuma especialista, médica ou nutricionista, prefiro passar adiante informações de pessoas que entendem do assunto, mas que estejam de acordo com o que eu acredito que seja melhor para nós, seres humanos.
O meu intuito foi de simplesmente passar adiante uma informação que para muitos é polêmica e possui muitos mitos.

Continuo achando que não há necessidade de suplementação quando se vive um estilo de vida saudável em todos os sentidos (desde a alimentação crua baseada em frutas e vegetais até o sono adequado, atividade física vigorosa, respiração, sol, natureza etc).

A questão toda da vitamina b12 e de outras mais, é a nossa CAPACIDADE DE ABSORÇÃO. Quando não se vive um estilo de vida e alimentação realmente saudáveis e naturais, fica complicado em qualquer caso absorver qualquer nutriente importante para a manutenção do corpo. Isso não se restringe só ao corpo humano, mas quando se dimensiona para a natureza, podemos ver claramente que em um solo saudável, todas as formas de vida irão se desenvolver ali, além de se tornar fortalecido para que pragas fiquem bem longe. É a mesma coisa com nossos corpos. Quando fortalecemos o nosso organismo com alimentação adequada, e todos os outros fatores para uma vida saudável, é sim possível absorver perfeitamente todas as vitaminas e minerais necessários para funcionarmos perfeitamente. Isso é o que eu acredito e é isso que eu e muitas outras pessoas ao redor do mundo vivem.

A suplementação, como dito pela Michelle Aslan no texto que traduzi, a longo prazo não muda nada, pois tanto para a suplementação da b12 quanto para a suplementação de qualquer outra vitamina é sempre a mesma história: a pessoa só vê o sintoma e quer tratá-lo rapidamente, antes de ver o que está causando este sintoma, e aí sim parar de causar. A grande diferença é essa.

Você quer suplementar a b12 com medo da falta futura? Beleza, suplemente, mas não espere que seu corpo reconheça essa vitamina sintética e também não espere ficar livre para nunca mais suplementar, pois enquanto você não parar de viver um estilo de vida e uma alimentação que não te fortaleça e não te facilite a absorver a b12, a deficiência jamais cessará. É simples assim. O corpo não assimila perfeitamente algo que é sintético – isso é um fato. Ele sempre tratará de eliminar logo aquela coisa estranha do organismo… o corpo é MUITO mais inteligente do que podemos imaginar e outra, ele sabe direitinho o que tem que ser feito para se harmonizar, basta que você dê o alimento ideal, e todo um estilo de vida saudável que o fortaleça para ser capaz de fabricar uma vitamina se for preciso e ABSORVÊ-LA PERFEITAMENTE.

Os últimos dois pontos que gostaria de deixar claro aqui é que, quando se consome alimentos cozidos diariamente e em todas as refeições – mesmo quem é vegano mas como alimentos cozidos – ou quem consome também alimentos de origem animal, além de não dormir, não pegar sol, não se exercitar etc, tudo isso faz com que você não absorva bem nutriente nenhum!
Além de sabermos que não importa só o que você come mas como você come. Mesmo que você só consuma alimentos tais com frutas e vegetais, o seu estilo de vida vai influenciar muito na absorção das vitaminas contidas nestes alimentos. A saúde deve ser vista holisticamente! É o conjunto de fatores que o fazem ficar com o sistema imunológico forte, com o intestino funcionando perfeitamente e conseguindo absorver todos os nutrientes necessários para viver saudavelmente.

Deixo aqui um ótimo texto que saiu na Revista dos Vegetarianos Out/2010, que é de um médico super conhecido no mundo vegetariano que fala muito da b12. Mas, que no final das contas, fica muito nítido para quem quiser ver, que a alimentação, estilo de vida saudável e a capacidade de absorção é o que fazem as pessoas não terem deficiência de b12 e não a suplementação pela suplementação. Por favor, leiam Dr. Eric Slywitch:

“Ácido Fólico

É a vitamina B9. Importante em diversas reações químicas no organismo, atua, dentre outras funções, na formação das células vermelhas do sangue em conjunto com a vitamina B12. Sua principal fonte nutricional é o reino vegetal, especialmente frutas e verduras. É possível atingir suas necessidades nutricionais facilmente, assim como elevar seus níveis corporais (quando ela está deficiente), por meio da alimentação adequada.

Os estudos internacionais demonstram que os vegetarianos costumam ter níveis sanguíneos mais
elevados do que as pessoas que comem carne. No entanto, isso vai sempre depender das escolhas nutricionais do vegetariano.

Vale ressaltar que a avaliação do nível sanguíneo de ácido fólico é sujeita a má interpretação se não for conhecido os fatores que alteram seus níveis. Há condições em que essa vitamina é deslocada da célula e aumenta no sangue, dando a falsa impressão de que os níveis estão adequados. Isso precisa ser sempre avaliado ao dosar os níveis sanguíneos de ácido fólico.


Vitamina B12

Famosa! Ela é incorretamente associada à deficiência quase que exclusiva da dieta vegetariana (vegana), pois partimos do princípio de que: se eu como, não tenho deficiência e, se não como, tenho carência. Ledo engano!

Veja só as estatísticas: cerca de 50% dos vegetarianos têm carência de B12. Cerca de 40% dos não vegetarianos na América Latina têm carência dela. Observe que a diferença é muito pequena!

Parece incoerente essa diferença, pois sabemos que as fontes de B12 são carnes, queijo, ovos e laticínios. A incoerência está no fato de pensarmos que basta comer para estar nutrido.

Assim como o ferro, a vitamina B12 depende muito mais de como a utilizamos do que de quanto comemos. Portanto, a ingestão de B12 não é o principal determinante dos níveis sanguíneos da vitamina, mas sim, como nosso corpo a utiliza.


A utilização corporal da vitamina B12

Já tenho diversos textos escritos sobre o assunto que podem ser lidos no meu site (www.alimentacaosemcarne.com.br) e, portanto, não vou repetir os dados já escritos anteriormente. Nesse texto desejo colocar dois pontos importantes.

Primeiro: de acordo com nossa atividade intelectual, a necessidade de B12 pode ser maior. Como ela é utilizada no metabolismo do sistema nervoso, tudo indica que, ao utilizarmos muito o intelecto, o seu consumo é maior.

Segundo: nossa vesícula biliar lança, diariamente, vitamina B12 no intestino. Pelas células intestinais, reabsorvemos a vitamina, que volta para o sangue. Assim, há um reaproveitamento da B12.

Quem é eficiente nessa reciclagem, perde pouca B12.

Quem é ineficiente, vai perdendo B12 pelas fezes.

O que chama atenção nesse ciclo, é que a quantidade de B12 lançada ao intestino pela vesícula biliar, pode ser muito maior do que conseguimos ingerir, mesmo comendo muita carne. Assim, não é possível dizer, apenas pela quantidade de vitamina B12 ingerida, como estão os níveis sanguíneos da pessoa.


Diagnóstico da deficiência de vitamina B12

Os níveis de referência de normalidade para a vitamina B12 vão de cerca de 210 a 980 pg/mL. No entanto, essa faixa não foi feita para avaliar a deficiência dela, mas sim para termos uma ideia dos valores que a população, de forma geral, apresenta.

A deficiência de vitamina B12 se faz em quatro estágios. Nos dois primeiros estágios é praticamente impossível fazermos o diagnóstico, pois não temos recursos laboratoriais disponíveis para isso.

Na primeira fase já há deficiência intracelular, mas é apenas a partir do terceiro estágio que o diagnóstico pode ser feito. Quando isso ocorre, os níveis sanguíneos de vitamina B12 costumam estar abaixo de 490 pg/mL.

Assim, toda dosagem de B12 abaixo de 490 pg/mL é potencialmente inadequada e deve ser corrigida. Nesses níveis, geralmente há sintomatologia clínica, manifestada por alterações cognitivas: concentração, memória, atenção…

Outro exame que pode ser utilizado no diagnóstico da deficiência, é a homocisteína, um composto que se eleva na deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico, dentre outros nutrientes. Ela não é necessária e nem fundamental para a avaliação da B12, mas pode ser utilizada.

Níveis adequados são abaixo de 8 µmol/L, apesar dos valores de referência atuais considerarem normais os índices até 10 µmol/L.

Assim, é importante que a B12 esteja acima de 490 pg/mL e a homocisteína abaixo de 8 µmol/L.

Os dados que encontrei na tese “Ingestão de ácido fólico e vitamina B12”

Era esperado que a quantidade de ácido fólico ingerida fosse maior no grupo vegetariano, mas não houve diferença significativa entre eles e os não vegetarianos. Isso ocorreu, pois os onívoros avaliados tinham uma boa ingestão de verduras e frutas.

Já a ingestão de vitamina B12, como esperada, foi maior no grupo onívoro (2,78 mcg/dia) e ultrapassava a necessidade mínima diária preconizada (2,4 mcg/dia). Os vegetarianos ingeriam menos (0,71 mcg/dia) do que o preconizado.


Avaliação dos níveis sanguíneos de Ácido Fólico

Nenhum dos participantes (vegetarianos ou não) apresentou deficiência dessa vitamina. De forma equivalente entre os grupos, cerca de 77% dos indivíduos tinham níveis em faixa considerada normal e cerca de 23% em faixa acima dos limites de normalidade, o que não representa problema algum.

Assim, vegetarianos e não vegetarianos apresentaram níveis sanguíneos equivalentes desse nutriente. Tal resultado é diferente do que os estudos têm mostrado, apontando maior concentração sanguínea de ácido fólico nos grupos vegetarianos.

Avaliação dos níveis sanguíneos de Vitamina B12

O grupo vegetariano e não vegetariano apresentou níveis sanguíneos equivalentes de vitamina B12: 348,7 pg/mL nos onívoros e 350,2 pg/mL nos vegetarianos. Isso nos mostra que a ingestão de B12 não é o principal determinante dos níveis sanguíneos da vitamina, mas sim, como nosso corpo a utiliza.

Os níveis encontrados mostram claramente que estavam abaixo de 490 pg/mL, que é o mínimo que qualquer pessoa deveria manter a B12.

Assim, onívoros e vegetarianos devem, igualmente, ficar atentos à B12 e suplementarem quando em nível insuficiente, como ocorrido no estudo.


Avaliação dos níveis sanguíneos de homocisteína

Não houve diferença estatística significante entre os grupos, apesar de haver uma tendência dos vegetarianos apresentarem níveis mais elevados (8,94 µmol/L nos não vegetarianos e 10,51 µmol/L nos vegetarianos). Observem que ambos tinham níveis inadequados, acima do que é preconizado (8 µmol/L).


Conclusão

A deficiência de Vitamina B12 atinge igualmente vegetarianos e onívoros.

A deficiência de Vitamina B12 deve ser sempre avaliada em vegetarianos e não vegetarianos, pois atinge os dois grupos de forma equivalente, não sendo diretamente associada à quantidade de B12 ingerida. Pela elevada prevalência de deficiência (avaliada pelos níveis de B12 e homocisteína inadequados), o tratamento foi instituído nesses indivíduos.

Os níveis de ácido fólico foram equivalentes, mostrando que a escolha alimentar pode influenciar os níveis sanguíneos encontrados.”


Dr. Eric Slywitch é médico especialista em nutrologia, nutrição enteral e parenteral.
Especialista em nutrição vegetariana. Autor dos livros: “Alimentação Sem Carne – Guia Prático” e “Virei Vegetariano. E Agora?”. Coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira. Pós-graduado em nutrição clínica (GANEP) e Mestre em nutrição (UNIFESP/EPM). CRM 105.231



3 Comentários


  1. Olá Malú,
    Como é que se compra o teu livro estando em Portugal?
    beijosssssssssssss


  2. 🙂 eu sempre leio seus artigos com um sorriso hehe parebens malu, voce é uma pessoa maravilhosa.

    continue assim, expandindo. 😀 abraço.

Comentários encerrados.