Sobre Fé

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Sobre fé.

Por Mari Ostermann

Quando me deparo com alguém que tem confiança e uma fé madura em Deus, na vida, ou no universo, sempre me emociono. Os céticos estão também se abrindo para isso embarcando na popularização do que a física quântica traz sobre a realidade ser uma manifestação do observador – é preciso ter fé na ciência também. Outros gostam mais das afirmações e recondicionamentos mentais através de afirmações. Mas tudo isso, é a velha e conhecida pratica da fé. Afinal, quando cremos na física ou no poder da palavra, estamos crendo numa lei cósmica, que  também é manifestação e lei divina. Porém, essa relação ainda está contaminada de medo e desejo. O posicionamento interno real de entrega, ainda se encontra imaturo em muitos, pois assim como o amor condicional, que ama para ser amado; a fé condicional, também crê para ser curado. E curado do que o Ego realmente acha ser o seu problema. Falta entrega. Falta a sabedoria socrática de sabermos que nada sabemos sobre o que é o melhor para nossa evolução. “…seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu”. Quem realmente se sente à vontade colocando o poder de escolha e decisão fora do controle do nosso ego?

Pois a tal fé que cura, tem disso. Podemos sim pedir, desejar, ter intenções claras.

Mas a confiança, acima das estatísticas, precisa se grande. Assim sentimos o gosto de confiar. E nossa mente e nosso coração já podem sair do medo.

Quando falo em cura, não estou me referindo somente ou exatamente à extinguir uma doença de um organismo. Falo de qualquer desequilíbrio, qualquer forma desarmônica de viver, seja tendo um corpo doente, seja tendo pensamentos doentes.

Fui ao João de Deus, médium famoso, conhecido no mundo inteiro pelas suas cirurgias espirituais e as curas atribuídas à essas. Fui porque senti o chamado de entender o que faz milhares de pessoas do planeta se deslocarem até o interior de Goiás,  enfrentarem filas de horas para ficarem em média 10 segundos em frente ao médium. E ali eu vi esse exercício de fé. O médium João de Deus é um símbolo importante e palpável que facilita que a fé floresça. Mas como ele mesmo diz, quem trabalha não é ele, e sim todas as energias e/ou entidades ali comprometidas. Sendo que somos todos partes da mesma consciência, somos unidade na pluralidade, esses seres de luz são também partes do nosso Eu Maior. Claro que creio em guias, e espíritos, e entes, e quem me conhece sabe que sim. Mas não me vejo separada deles. Eu posso sim me conscientizar e abrir-me para a luz e para a verdade (e para os bons guias) ou me fechar e acreditar em toda a limitação dos meus condicionamentos egóicos (e perceber como a vida fica mais difícil) É isso que os ensinamentos sagrados e a disciplina do yoga trazem, o valor das ações corretas para estarmos na luz.

Mas mais importante que nossa ação correta, é nossa entrega. Ou a nossa fé. É deixar-se ser. É querer a luz, ser a luz, buscar a luz e agradecer a luz.

Então, antes mesmo das disciplinas, pratique sua capacidade de confiar, acreditar, e de entregar-se. E então agradeça através da ação correta.

Vejo essa inversão diariamente em consultório. A dificuldade de crer, de entregar-se, de confiar na vida. Mas em mim, confiam. Como posso eu ser mais confiável que a força que me criou?  Mas se uma naturóloga como eu, pode ajudar a simbolizar a fé para quem por mim passa, então, tenho fé que aos poucos, as pessoas todas se deem o direito de tê-la também.

“Entrego, aceito, confio, agradeço” (Hermógenes) – palavras de um grande mestre da disciplina, mas antes disso, de um mestre da fé.

Obrigada João de Deus. E obrigada a todos meus professores de fé.