O que você sustenta?

Olá! Hoje inauguramos mais uma coluna com um dos nossos novos colunistas. No caso, a Carpe possui 5 integrantes que estarão se revezando para escrever aqui no site. Hoje a coluna foi escrita pelo Yuri Diniz, um Carpeano, como ele mesmo se descreve que tem muita coisa boa para falar e para fazer a gente refletir sobre Sustentabilidade. Afinal, esse tema já é bem abordado por aí, mas tenho certeza que essa reflexão que ele nos trás vai muito mais profundo e além.

Boa leitura!

O que te sustenta? – A visão de um Carpeano

Sustentabilidade é um termo muito conhecido e falado nos dias de hoje, mas a grande maioria das pessoas tem dificuldade de falar com clareza sobre o assunto. Talvez esteja ai a prova de um ato falho, não temos consciência do que sustentamos e nem do que deveríamos sustentar, vagamos sem propósito.

Sustentabilidade significa algo que se sustenta em determinado espaço-tempo. Podemos tentar sustentar o que quisermos durante a nossa passagem no espaço-tempo. Temos a oportunidade de escolher entre o inferno ou o paraíso, escassez ou abundância, amor ou ódio, cooperação ou competição. Mas isso não significa que tudo se sustenta.

Atualmente, o tão falado tripé da sustentabilidade (ambiental, social e econômico), se torna uma “fôrma” que engessa o olhar e a cabeça da maioria que tenta enxergar algo nesse sentido. Reduz a sua capacidade de enxergar além. Reduz a sua responsabilidade. Reduz o seu poder de criação.

Para nos mostrarmos oportunos na nossa passagem pelo Planeta Terra, precisamos alcançar um balanço energético positivo. Se sustenta na teia da vida aquele que cria mais recursos do que consome. Para alcançar esse balanço energético positivo, vamos ter que trilhar dois caminhos óbvios, desagregar menos energia e agregar mais energia ao macroorganismo, através de ações inteligentes. Para desagregarmos menos energia, precisamos simplificar aquilo que complicamos sem necessidade. A forma mais inteligente é sempre a mais simples. São as ações simples que possuem a capacidade de alcançar um balanço energético positivo. A vida é feita para ser simples. A energia flui do simples para o complexo.

Deve-se refletir sobre a quantidade de energia desagregada diariamente para que você possa se sustentar. Comece pelas contas de luz, gás, água, etc. Passe para a sua conta bancária (dinheiro também é energia, que você acumula para te trazer “segurança”). Aprofunde um pouco mais. De que materiais é feita a sua casa? Como você se transporta? Do que se alimenta? De onde vem o seu alimento? Como ele é produzido? Quanto de resíduo você produz? Quais são os tipos de resíduos que você produz? Para aonde vão os seus resíduos? Como eles são tratados? Da onde vem as suas roupas? Como e de que material elas são produzidas? E os seus equipamentos eletrônicos, como e aonde são fabricados? Daí por diante.

Após essas reflexões, provavelmente você perceberá muitas estruturas e hábitos insustentáveis altamente desagregadores de energia que antecipam rapidamente a nossa data de validade no macroorganismo. A energia que retiramos do sistema e metabolizamos para transformar em trabalho, deve ser usada para agregar energia. Nossas ações devem criar recursos, cooperando para a abundância no planeta.

Destaco o olhar para a questão de usarmos a palavra sustentabilidades, não por achar necessário um novo conceito, mas sim um novo olhar que permitirá uma nova prática. Assim, nossa ação, como sugere o conceito de sustentabilidades, deve partir de um olhar multidimensional e transescalar que nos permita enxergar os fluxos e as relações de interdependência do macroorganismo. Entendendo as especificadas de cada lugar, perceba como a busca para nos tornarmos oportunos é feita no local. Aproxime-se dos processos que realmente te sustentam em plenitude. Plante, cuide, colha, cozinhe, coma, construa, ame. A transformação na cidade começa, ao meu ver, a partir da apropriação dos espaços disponíveis (praças, terraços, varandas, terrenos baldios, canteiros de rua, paredes, ou qualquer outro lugar imaginável e inimaginável) para produção de alimentos através de uma agricultura urbana inteligente, com a gestão dos resíduos orgânicos nas localidades e programas de educação ambiental crítica, que nos levem a um consumo consciente e a ações inteligentes que favoreçam os fluxos de vida na localidade e no planeta como um todo.

No campo, a transição da escassez para abundância ocorre a partir da transformação do uso da terra para intervenções que levem à floresta. Vivemos em um ambiente de floresta, não podemos nos afastar dele. Logo, precisamos entender como interagir e cooperar com esse ambiente, para que possamos acabar com a atual dicotomia existente entre a produção de alimentos e a floresta. Nosso alimento deve favorecer a floresta, e não destruí-la.

Troquemos o escritório pelo jardim, o pasto pela floresta, a morte pela vida. A hora é agora! Siga seus instintos. A busca por sustentabilidades é divertida e prazerosa. Tome como o maior bioindicador do caminho certo, a sua felicidade. E divirta-se ao ver o planeta conspirar a seu favor!

 

Este artigo foi produzido por Yuri Diniz, integrante da CARPE e um dos nossos colunistas.