A natureza bela do ser humano fantástico

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A natureza bela do ser humano fantástico

Por CARPE

Certa vez, após uma estadia de quatro noites no balneário Uruguaio de Cabo Polônio, uma tradicional vila de pescadores situada no atlântico sul, tive uma ideia sobre a natureza e o ser humano que integra essa natureza.

Estava hospedado em uma casinha branca logo no início de uma praia extensa e inóspita, cercada pelas rochas do cabo por um lado e pelo outro pela imensidão das dunas. O mar, que perto das rochas é calmo, fica cada vez mais violento na medida em que a praia se abre. Sob o sol intenso é quase impossível caminhar por toda a extensão de areia. A casa é em cima da areia e para os dias de mar agitado conta com uma mureta de contenção

Devido às condições extremas da praia é no seu início que a maioria das pessoas se reúne. Portanto, durante o dia, a casa onde estávamos vivia cercada de pessoas fazendo praia. Seja fazendo mergulho livre, seja jogando futebol ou simplesmente se bronzeando. As pessoas que estavam na praia criavam alguma coisa para fazer naquela praia.

Ao mesmo tempo a natureza dava um show ao vivo. Golfinhos pulando no horizonte, tartarugas nadando sem nenhum medo das pessoas, leões marinhos grandiosos, caçando e brincando entre si. Até que apareceram grandes baleias no horizonte, jogando aquele spray de água para cima. Eu que estava observando da varanda de casa as baleias passarem, senti vontade de compartilhar aquilo com alguém. E então comecei a olhar em volta para ver se alguém tinha visto primeiro o spray e depois a cauda delas. Quando comecei a caminhar pela praia a espera de alguém tão extasiado como eu com aquele contexto em que a natureza nos colocava não achei ninguém.

Foi justamente nesse momento que me dei conta de que a natureza é incrível, bela e plena. E o ser humano é fantástico, pois, vive das próprias fantasias que cria, sejam elas incríveis ou não, belas ou feias, plenas ou fugazes.

Ora, as pessoas estavam entretidas com aquilo que levaram para aquele ambiente e não com o ambiente em si. É claro que todas aproveitam a areia para estenderem suas cangas ou fincarem seus guarda-sóis. É lógico que aproveitem a purificação que banho de mar proporciona, além de comerem os frutos do mar com a maior satisfação. Mas o que marca essa relação do ser humano com a natureza é a capacidade do ser humano viver em suas próprias fantasias ainda que estas estejam completamente desalinhadas com a natureza que o cria.

E disso decorrem diversas mazelas da nossa sociedade moderna. Por que não podemos beber água da nascente, comer frutos e verduras do pé e ainda assim habitarmos centros urbanos de menor porte? Por que não informar que a água de Guandu é horrível e que o Compeerj é uma calamidade pronta? Que o Haiti ou El Salvador tem a mesma proporção de habitantes/hectare que a Alemanha ou a Holanda?

Porque devemos continuar a acreditar nas fantasias de sempre. Seja na fantasia tecnológica que irá solucionar nossos problemas como um passe de mágica, seja a fantasia racional que coloca o ser humano como “O” ser inteligente da natureza.

Ao mesmo tempo, como aponta o título, acredito em algo de belo, incrível e pleno também no ser humano, pois, este como parte integrante do macro organismo mãe terra é também movido pelo prazer interno e pelo amor incondicional.

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